CHEGAMOS NA SUPERFÍCIE E O CÉU TEM GOSTO DE SAL

Depois de um turbilhão em dias, dois mil e vinte parece uma serenata em canal mudo. Vemos as cores, sentimos os fogos, mas ainda estamos sentados na beira de casa. Às vezes a única forma de ouvir o coração é tampando os ouvidos. Nos últimos dois meses estivemos pensando qual é o nosso papel dentro de uma cena sem fôlego. E por mais viciante que seja a adrenalina da corrida doendo nas canelas, às vezes precisamos respirar.

 

Queremos entender o caminho. Ou construir. Não com gráficos em canvas, mas com pincéis, papéis e poeira na mão. Tinta de caneta estourada na bolsa. Cadernos rabiscados em lápis 6B. Queremos voltar para o momento em que nos apaixonamos por criar. E vamos mostrar esse processo para vocês. O mais importante: queremos construir esse processo, como uma Última Ceia criativa, com menos traições e mais frutas renascentistas.

 

Nos reunir é preciso. Essa é a nossa pílula secreta: o individual coletivo que existe na arte. Existe muita coisa fora de ordem no mundo. Gatos reerguem seus punhos atrás de ratos, enquanto digitamos promessas dentro do pacote Adobe. É preciso ser maior que isso.

 

Que 2020 seja o ano que a criatividade entenda que o silêncio é melhor que o ruído. Que faça o seu papel e seja ponte; dos escritórios para os cafés, da barriga da baleia para as ruas. Do umbigo para o coletivo. Da arte para todos.

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