PENDURANDO MÁSCARAS E COLETES

Deve ser essa sensação que os mergulhadores sentem; o último fôlego cortando as costelas, fazendo o diafragma se contorcer, vendo o pulmão tentar ao máximo fazer seu papel na sobrevivência de carbono por oxigênio.

 

Buscando fôlego.

 

Ao longo desses últimos meses, vimos e ouvimos o caos ganhar forma. Alguns dias ele é um vírus capaz de matar 30.000 mil pessoas, em outros, disfarça-se na figura dos quatro cavaleiros do apocalipse em bemol mudo, apertando fake news e demitindo ministros. Por último, ajoelha-se na traquéia, já apertada, e corta os batimentos cardíacos de uma só vez.

 

Finito. É assim que nos sentimos nos últimos meses, como se o fôlego nunca fosse suficiente no caminho até a superfície. Quarentena lo-fi uma ova. Penduramos máscaras e coletes à prova de bala no varal, tão próximos das roupas de inverno que, no futuro, não saberemos o que é casual ou não. Pandemias combinam com tênis all-star classic?

 

Viramos espécie, sobras de uma época histórica.

 

É um sinal dos tempos, seja bem-vindo ao outro lado. Da nossa parte, o que podemos (e iremos) fazer, é incentivar o coletivo. Apenas dividindo nossos problemas, conversando, trabalhando criativamente juntos, é que podemos resgatar o fôlego para os próximos meses.

 

Vista sua máscara, encontre-nos do outro lado do túnel.